Estudantes da FUPAC criam rede de apoio para ampliar segurança nos deslocamentos noturnos em Mariana (MG)
- Daniel Marcos

- 27 de jun.
- 2 min de leitura

Por: Luiza Gabriela Castro Uma iniciativa criada por professoras, professores e estudantes da FUPAC Mariana busca tornar mais seguros os deslocamentos de mulheres entre a faculdade e suas residências. Batizado de Rota Lilás, o projeto funciona como uma rede de apoio por meio de um grupo de WhatsApp, onde as alunas podem compartilhar seus trajetos, solicitar companhia, avisar quando chegam ao destino além de trocar informações relacionadas à segurança. A proposta surgiu a partir da escuta das próprias estudantes, que relataram preocupação com o retorno para casa após as aulas, especialmente no período noturno.
“Percebemos que muitas alunas manifestavam preocupação com os deslocamentos entre a faculdade e suas residências, especialmente no período noturno. Sabemos que o medo da violência ainda faz parte da realidade de muitas mulheres e entendemos que a universidade também tem um papel social na promoção de ações que contribuam para a segurança, o acolhimento e a permanência das estudantes no ambiente acadêmico”, explicam a coordenadora do Núcleo de Prática Jurídica (NPJ), professora e advogada Ana Flávia Delgado Oliveira, e o coordenador do Núcleo de Extensão, Tecnologia e Iniciação Científica (NEXTIC), professor Cleberson Ferreira de Morais.
A necessidade da iniciativa também é percebida por parte das estudantes. Uma delas relata que passou a evitar fazer o trajeto sozinha até sua casa devido à sensação de insegurança.
“Eu comecei a pegar carona com uma amiga porque, na entrada do alojamento, sempre tinha homens chamando” contou.
Como funciona
O Rota Lilás funcionará por meio de um grupo de WhatsApp exclusivo para estudantes da FUPAC Mariana.
No espaço, as participantes poderão informar voluntariamente seus trajetos, avisar quando chegarem ao destino, solicitar apoio em situações de vulnerabilidade e compartilhar informações relacionadas à segurança.
Além disso, o grupo também será utilizado para divulgar campanhas educativas, orientações sobre os direitos das mulheres e informações sobre os serviços da rede de proteção existentes no município.
Segundo os organizadores, a iniciativa não substitui a atuação das forças de segurança pública nem dos serviços de emergência.
“Mais do que um grupo de comunicação, o Rota Lilás pretende fortalecer o sentimento de pertencimento, solidariedade e confiança entre as integrantes da comunidade acadêmica. Acreditamos que pequenas atitudes podem fazer uma grande diferença. Quando mulheres cuidam umas das outras, fortalecemos não apenas a segurança individual, mas também toda a comunidade acadêmica”, destacam os coordenadores.
Cultura do cuidado
Além de oferecer suporte durante os deslocamentos, o projeto busca incentivar uma cultura permanente de prevenção à violência de gênero dentro da universidade.
Entre os objetivos da iniciativa estão o fortalecimento da segurança das estudantes, a divulgação de informações sobre direitos das mulheres, o incentivo ao cuidado coletivo e a criação de uma rede de acolhimento baseada na solidariedade.
Com o lema “Conectando trajetos, protegendo vidas”, o Rota Lilás pretende mostrar que pequenas ações colaborativas podem contribuir para que nenhuma estudante enfrente sozinha situações de vulnerabilidade durante o caminho entre a universidade e sua casa.



Comentários